domingo, 7 de julho de 2013

A casa onde moro

Tenho uma frase que uso para me definir nos momentos em que a poesia pede: "Sou um pequeno poeta palhaço, precisando de mais tempo e de menos espaço". Com esse verdadeiro subtítulo que uso para minha existência consigo dizer quase tudo que de importante eu tenho ou eu sou. Tenho noção do meu tamanho diminuto, das minhas limitações (e do meu poder de superá-las) e da grandeza do mundo todo – por isso me chamo pequeno. Tenho em mim a poesia, não só a poesia dos versos, mas a poesia materializada nas ações do dia-a-dia e no jeito de ver as coisas. O palhaço chega para ser a alegria que não encontro no mais profundo e para dar leveza à vida. 24 horas, 365 dias ou apenas uma vida não são suficientes para meus mil interesses. Por fim, quando falo de menos espaço... Bem, esse é um tema paradoxal para mim.

Peço menos espaço devido à incapacidade de me agarrar ao meu espaço presente. Sou desses que fazem mil planos e querem estar em qualquer lugar, menos aqui. Perco o interesse pelo local onde estou com uma extrema facilidade e, ao perder a vontade de estar aqui, me perco e me vejo como esses navegadores que ao descobrirem novas terras, logo precisam partir em busca de outras aventuras, deixando a sua descoberta nas mãos de alguém que julgam mais preparado para o cuidado. Por outro lado, essa desfronteirização do meu espaço me permite ser alguém que sonha mais e não se contenta. E como vivo de sonhos, acabo me encontrando nessa difícil contradição.

Já morei em sete casas e mais a da minha vó. Nunca morei ali verdadeiramente, mas posso dizer que é a casa que mais conheço e onde mais me reconheço. Quando estou lá, o Pulinha, o Polin, o Tião, o Paulo, o Tipola e todos os outros eus se encontram e sorriem um para o outro. E também choram lembrando dos tempos idos, das aventuras passadas, das despedidas e dos reencontros com avós, primos, primas, tios e tias. Talvez por nunca ter mesmo morado ali, é o lugar onde mais me agarro, onde mais desejo estar ou pra onde mais quero voltar.

A casa dos meus pais, o sítio à beira do riacho e atrás das montanhas de Minas, é outro lugar que consegue me fascinar bastante, mas tenho um problema peculiar com ele. Foi ali que passei a minha infância e, quando volto, é impossível não sofrer com a nostalgia. Lembro-me dos dias inteiros de brincadeiras de criança, de aventuras e da sensação de que nada seria capaz de incomodar nossa vidinha à luz do Sol e da Lua.

Morei com amigos, quando estudava em Viçosa. Chamava república, mas não sei bem se é o modelo de república que você imagina. Havia uma liberdade incrível e finalmente parecia que eu morava sozinho, apesar de ter outras três ou quatro pessoas dividindo o mesmo teto. Na República Arcoverde morei com grandes amigos e qualquer dia desses venho aqui relembrar aquele local único no Bairro de Fátima...

Morei em uma casa alguns meses, numa comunidade perto do sítio... mas eu era pequeno e nem me lembro direito.

Morei com minha Tia Ana e sua família em Conselheiro Lafaiete por dois anos. Foi quando me mudei para a cidade e tudo era absolutamente novo e espantoso, mas me adaptei rapidinho. Entre meus primos, a gente ri e comenta que eu cheguei como um “jequinha” na cidade grande e agora não tenho cara nenhuma de quem nasceu na roça. Por cara, queremos dizer jeito, modos, costumes, essas coisas...

“Morei com minha mãe mais meu pai que ia nos visitar” em Lafaiete durante a adolescência. Foram tempos interessantes, de eu olhar para dentro de mim e ao mesmo tempo buscar ver o mundo à minha volta. Hoje sinto como se tivessem passado num piscar de olhos, apesar de terem sido cinco anos. Acho que deve ter sido pouco tempo, e hoje eu peço mais.

Finalmente, a casa onde moro! Estou em São Paulo desde o início do ano passado com a Denise e a Débora (as De’s), minhas “primas”. A Denise é minha prima mesmo e amiga de infância, a Débora me adotou como primo e agora eu a adotei assim também. E com elas e mais o Guto (o cão), vivo em um apartamento que é uma mistura de república com moradia de primos. E eu gosto muito mesmo de morar aqui. Além de vira-e-mexe relembrarmos os tempos idos com saudades, estamos sempre aprendendo com as experiências de cada um e de todos juntos. 

Acabei revisitando minhas residências e chego agora num desfecho interessante. Acho que estou começando a reconhecer um erro na minha frase de apresentação. Continuo o pequeno poeta palhaço que precisa de mais tempo, mas penso que no fundo mesmo eu preciso também de mais espaço. A retirada de fronteiras e a necessidade de ser de todo o mundo me impulsionam a trocar o menos por mais, e agora sairei por aí anunciando meus desejos: mais tempo e mais espaço.

Nessa casa onde eu estou, tenho as condições materiais para viver bem e, de quebra, tenho a companhia de duas meninas de quem gosto muito. Mas, acima de tudo, é aqui que estou me encontrando e certamente esse lugar me marcará para sempre.

“Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.”
Saramago

Abraços,

Polin Maia

domingo, 30 de junho de 2013

Um texto pretensioso sobre todas as coisas

Terminei o último texto para este blog comentando do meu apreço pelo tempo e por sua passagem. Parece estranho admirar tanto algo tão habitual e abstrato quanto o tempo, mas esse famoso fio condutor da história é meu companheiro ao travesseiro todas as noites em que revivo, planejo e sonho toda a existência.

Há exatamente um ano fiz uma análise sobre o primeiro semestre de 2012 e guardei aquele texto comigo. Surpreendi-me, na época, com as mudanças implementadas nos seis meses da nova fase da minha vida, e chamei justamente de nova fase porque foi quando me mudei para São Paulo (isso alguns de vocês que me leem já devem saber). Hoje verifico que foi um erro chamar aquele período de “o tempo da grande mudança da minha vida”, pois, como comentei no texto anterior, 2013 é sim o grande ano das coisas novas.

Antes do primeiro semestre de 2012, quando ainda estava em Minas, eu costumava determinar um dia do calendário em que ocorreria uma mudança completa nos meus hábitos e na minha atuação nesse mundo. E acabei por determinar tantas e tantas datas (quase diariamente) e nada acontecia – o caos da vida perpetuava. Datas como essa, o início de um novo semestre – 1º de julho, amanhã – certamente estavam incluídas como um ponto no tempo em que tudo se resolveria. E eu botava toda a minha fé nisso, mas não me mexia nem um centímetro.

Com o mesmo tempo, fui percebendo que não adiantava determinar uma data da revolução pessoal porque essa revolução é feita aos poucos, trabalho diário, construção coletiva, o mundo mudando com a gente. E aí, graças a uns breves períodos de lucidez nesse caos, consegui fazer alguma coisa que me permitiu senão mudar totalmente o jeito de levar a vida, trocar de casa, de cidade, de curso de graduação, de profissão e talvez de futuro. E então cheguei naquela “nova fase” e escrevi um texto. De certa forma acreditei que a mudança tinha acontecido, mas o pano de fundo da existência continuava muito semelhante.

Acho que não marquei para 1º de julho de 2012 uma data de impacto no meu calendário da vida, mas me lembrei desse costume hoje e, ao verificar que alguma mudança pronunciada vem ocorrendo, resolvi decretar para 1º de julho de 2013 a data em que simbolicamente começa uma verdadeira nova fase da vida. Tendo o dia inicial do segundo semestre como um marco, pretendo que de amanhã em diante eu consiga viver de forma mais prazerosa, sadia e interessante. Tudo o que vivi e pensei recentemente, todos os novos sonhos e as reciclagens dos antigos – que eu consiga desfrutar de ânimo e sabedoria para atuar da forma como desejo e me faz bem com tudo isso.

Esse texto aqui é uma tentativa de abordar todas as minhas passagens mais recentes, ainda que superficialmente, numa só análise. A partir dessas vivências estou contruindo o meu futuro e acho importante registrá-las, bem como a minha impressão sobre elas.

Pretendia fazer uma análise cronológica do que foi essa vida nova, mas prefiro citar os pontos importantes à medida em que forem surgindo em minha lembrança.

Bem, engajei-me mais fortemente no movimento estudantil, da Medicina e Geral e com isso aprendi bastante sobre política, lutas sociais e, sobretudo, tornei-me mais crítico e empenhado. Graças a esse mérito, fiz viagens incríveis, onde conheci pessoas igualmente incríveis ou fortaleci os laços pré-existentes.

Conheci um pedaço da Amazônia em janeiro, num viagem-aventura em que utilizei bastante o senso de liberdade e voltei no fundo conhecendo mais a mim mesmo do que qualquer outra coisa. Estou com um texto sobre essa viagem empacado aqui, mas pretendo terminá-lo e publicarei em breve.

Minhas aulas na faculdade voltaram no início de fevereiro e eu, diante da explosão interna de pensamentos e revoluções pessoais, vim desde lá derrapando em cada atividade, aula, compromisso, prova, trabalho... certamente o meu rendimento acadêmico está desprezível, mas nada que não seja possível melhorar no próximo semestre que começa amanhã – um marco mágico no calendário :]

Os sentimentos estiveram à flor-da-pele nesse primeiro semestre. Ternuras antigas e novas e doses inesperadas de afetos novos ou não me abalaram e eu ando meio que ainda tentando compreender que bicho é esse chamado amor ou que bichos são aqueles chamados desejo, ódio, carinho, responsabilidade, admiração ou simplesmente amizade. O amor físico tornou-se algo mais questionável para mim, e comecei a trazer mais para o plano cotidiano as considerações sobre o que o envolve. Estou pensando em textos para isso também e publico em breve.

Tornei-me professor. Fui a uma reunião para conhecer a rotina de um cursinho popular e no fim da tarde já havia recebido o cargo de professor de Biologia. Estou dando aulas desde março no cursinho Laudelina, da Rede Emancipa, no Alto do Ipiranga, em São Paulo. Empenhei-me bastante em aprender a dar aulas, porque nunca tinha feito isso, e em estudar Biologia. E fui muito feliz, certamente aprendi mais que ensinei e fiz amigos para a vida toda.

Comecei a me dedicar a duas Ligas Acadêmicas, de Psicanálise e de Hepatologia (na área de cirurgia do fígado). Foi muito bom para estreitar laços com professores e adentrar um pouquinho mais na Medicina, principalmente porque são duas áreas bem diferentes e que servem bastante ao meu mundo de mil interesses.

Ingressei no PET-Saúde, um grupo formado por orientadores e alunos e que busca desenvolver atividades de vigilância em saúde. Espero desenvolver trabalhos científicos e atuar numa área que parece não estar muito presente na formação regular da Medicina e penso que me ajudará a renovar o ânimo com as tarefas acadêmicas.

Manifestações... atos públicos, debates e formação política – estive em pelo menos seis protestos neste ano, na USP contra o PIMESP, nas ruas do Centro em favor da revogação do aumento das tarifas, contra o Feliciano na Paulista e me senti muito motivado em lutar por meus ideais, pessoais ou aqueles de sociedade.

Vegetarianismo... tornei-me vegetariano quando estava em Porto Velho, em janeiro. Já tinha um problema com a ingestão de carne, que muitas vezes me causava alergia e, além disso, queria melhorar minha alimentação e não tinha muito apreço por bifes e pedaços animais. Decidi, então, parar de comê-los totalmente. Algumas vezes comi uma esfiha do Habib’s ou um pedacinho de alguma coisa em meio à comida, mas agora já não como mais e daqui a pouco começarei a defender os benefícios dessa prática =]

O Coletivo A gente não se acostuma me é outro grande formador e com as pessoas que dele participam também aprendi muito e me diverti pra caramba. Realizamos saraus memoráveis e começamos a atuar de uma forma questionadora frente às mazelas sociais e aos problemas mais diversos da Santa Casa e de fora dela. É ali que despontou em mim um ser político e estou bem feliz com essa verdadeira conquista.

Li bastante nestes seis primeiros meses e isso também me agradou muito. Cozinhei, busquei novos interesses e aviventei projetos passados. Adquiri novos hábitos, estranhos ou não, curiosos, benfazejos ou não, depende do ponto-de-vista, mas que têm me feito cada vez mais parecido com aquilo que eu sou de verdade.

Por fim, posso dizer que uma armadura está despencando de mim e escrever tudo isso me empolgou para fazer acontecer aquilo que sonho. Com essa visita aos acontecimentos recentes posso acreditar que a vida tem feito sentido, tem sido mais plena.

Certamente este texto não está completo e talvez nem perto disso; sei bem que é uma tentativa falha de tocar as coisas mais importantes sobre mim e mais falha ainda no quesito abordar a dimensão daquilo que realmente ocorre. Mas para quem está passando por uma mudança severa, mas ainda conserva o gosto pela escrita, é uma experiência extraordinária.

Entro, dessa forma, numa nova fase. Não me sinto mais paralisado e acho que poderei me mexer centímetros ou quilômetros daqui para frente. Ao trabalho, então!

Boa Semana! Até o próximo domingo.

Polin Maia

domingo, 23 de junho de 2013

22 anos

Fiz 22 anos nessa semana que passou. Cheguei a uma idade que já me passou pela cabeça algumas vezes, porque eu gosto desse número e porque até há um ano e meio seria a idade com a qual eu me formaria na faculdade e teria que decidir mesmo o que fazer com a minha vida. Eu dizia, ou ainda digo, que 22 é o meu número da sorte - foi o número do candidato a prefeito (do antigo PL, veja só!) pra quem torcia na minha primeira aventura política aos 9 anos (esse candidato foi eleito); foi o meu número de chamada na 5ª série e em outras; foi a colocação em que fiquei no vestibular para Bioquímica na UFV e foi algumas outras coisas que não lembro. Não lembro porque talvez não tenham sido assim tão importantes. Mas ter um número da sorte me pareceu, ou ainda parece, bem importante e é por isso que o carrego comigo. Agora além de número da sorte, carrego o 22 como idade.

É, realmente eu preferi jogar para os 26 a idade com a qual irei decidir mesmo o que fazer com a vida. Com essa idade concluirei a faculdade que faço agora e é um pouco confortante saber que ainda terei um certo tempo para lidar com esse desafio que é tentar ser alguém, ou tentar ser mais que mais um. Minha aventura política dos 9 anos não vingou como eu gostaria, hoje, que tivesse vingado. A vida foi me trazendo novos aspectos, novas programações; e eu somei à pressão da vida uma melancolia, um "fechamento em mim mesmo" e passei quase que toda a adolescência em profunda crise, atribuindo a mim personagens, me despersonificando, me fechando para o mundo.

Ao final da adolescência, por influência das escolhas que fiz para mim, conscientes ou não, acabei encontrando pessoas e lugares que me influenciaram muito positivamente e com as quais aprendi a ser e a me portar como realmente sou. Diria que ainda estou nessa fase de final da adolescência, porque mesmo os 22 anos não me garantem pensar como adulto, na sua concepção mais popular e corriqueira. Entretanto, acho, analisando-me um pouco mais, que estou próximo de um outro estágio da vida, não porque vislumbro esse que vem aí, mas porque me distancio do anterior. Talvez esse novo estágio chamem de idade adulta!

Essa mudança em minha vida, que tenho experimentado nesse ano, já faz com que eu trace novos objetivos e sonhe novos sonhos. E é engraçado experimentá-la! Quando saí de Minas, em janeiro de 2012, para tentar uma nova vida em São Paulo depositava, como já devo ter comentado em algum outro texto aqui, a ideia de que seria um tempo de mudanças extremas, mas não foi o que eu verifiquei. Erros e pesadelos do passado continuaram me sufocando, me oprimindo e aí eu passei quase que todo um ano em função de querer ser algo novo, mas extremamenete temeroso e cheio de dúvidas. 2013 foi/é diferente, as mudanças são palpáveis e tenho coragem de provocá-las. E me sinto bem assim!

O engajamento político, ceifado durante anos, reapareceu e tem me feito bem. Acho que agora ele finalmente irá vingar. De ações concretas, tenho participado de muitas manifestações nas ruas de São Paulo pela revogação do aumento das tarifas do transporte público, contra o cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara do pastor Marco Feliciano, em defesa do SUS público e estatal... Em parceria com movimentos sociais e organizações que pensam uma sociedade mais colaborativa, menos desigual e que dê garantias de direito a todos os cidadãos, tenho aprendido bastante e sonhado novos sonhos.

Gostaria de comentar sobre a onda de manifestações que atingiu todo o Brasil, até porque vivi bastante coisa e testemunhei de muito perto os últimos acontecimentos, mas ainda me falta uma elaboração maior e por enquanto deixarei esse vídeo, do professor Mauro Iasi da UFRJ, que eu achei bastante lúcido e informativo para ajudar no entendimento de todo esse processo.


Bem, no dia em que completava 22 anos de idade, comemorei de verdade a revogação do aumento das tarifas anunciado por Haddad e Alckmin. Foi uma vitória conquistada pelo povo e isso muito me alegrou. Não ligo muito para os aniversários, mas como você pode ver, o tempo e a passagem dele tem um significado muito importante para mim.

Boa semana! Até a próxima!

Polin Maia

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Internet e outros tempos

Esse nem deveria ser um post. Na verdade é um registro.

Um registro de que fiquei uns quinze dias sem internet em casa, por problemas com a operadora. Um saco! Por isso ontem não conseguiria postar (a internet voltou hoje, segunda), e como não conseguiria, não me esmerei em fazer um texto. Até porque cheguei às 23 horas em casa, após o CONUUE-SP. Cansaço e trabalho!

Bem, falamos de outros tempos, o tempo da internet e tudo... ainda quero discorrer sobre isso e sobre as mudanças que o mundo vem experimentando, mas hoje é mesmo um dia de ação: Quinto grande ato contra o aumento das passagens em São Paulo. Os tempos são outros, além da internet, discorrerei sobre a mobilização da juventude.

Então vamos às ruas! Na próxima semana, publico um texto decente.

Abraços!

Boa semana!

Polin Maia

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Em movimento

Há 15 dias eu havia indicado o tema para o meu próximo post, que envolveria Movimento Estudantil, UNE e o próprio Congresso da UNE. Bem, este texto se propõe a isso.

Cheguei do CONUNE (Congresso da UNE – União Nacional dos Estudantes, na sua 53ª edição) na última segunda-feira. Devido aos afazeres da faculdade, não pude escrever sobre ele naquele dia. Estou fazendo isso no fim de noite de domingo, mas não conseguirei publicar no blog hoje, como havia combinado comigo mesmo, porque estamos sem internet há dias aqui em casa :/ Amanhã resolvo/emos isso e aí eu publico.

UNE, entidade histórica dos estudantes do Brasil, presente em momentos importantes como no enfrentamento à Ditadura Militar e no movimento pelas Diretas Já! e que diante das afrontas que a educação brasileira tem recebido, necessita ser presente e combativa. Tenho participado do movimento estudantil e composto os espaços de mobilização e atuação com este objetivo: acrescentar no combate à precarização da educação e ampliar o meu conhecimento e atuação na sociedade.

Putz, presunçoso este último parágrafo! Mas não se engane, sei bem pouco sobre movimento estudantil e política no geral. Estou começando a aprender e, como todo iniciante, tenho em mim uma empolgação bastante interessante, sobretudo para quem andava meio perdido e desanimado. 

O CONUNE ocorre a cada dois anos e os dois últimos foram em Goiânia. Em cinco dias, ocorrem espaços de discussão, palestras, atos públicos, encontro e eleições, tanto dos membros que irão compor a nova diretoria da entidade quanto dos textos de conjuntura, movimento estudantil e educação que nortearão a atuação da UNE no próximo biênio. Há participação de cerca de 10 mil estudantes de graduação, de todas as partes do país, grupos políticos, coletivos e áreas de estudo. Cada faculdade ou universidade ou similar tem direito a enviar um delegado representante para cada grupo de mil estudantes. Esse delegado é escolhido a partir de uma votação promovida pelo DCE ou por um grupo de estudantes que se oferecem para organizar a eleição e tem direito a voto no congresso. Na Santa Casa, pudemos levar um estudante como delegado, porque temos menos de mil alunos de graduação e neste ano fui o eleito, indo acompanhado por duas alunas suplentes.

Além de nós três, outros dois alunos da faculdade também foram ao Congresso. Compusemos o coletivo Domínio Público, que por sua vez compõe a Oposição de Esquerda da UNE. Esse grupo de oposição concorre nas eleições com a União da Juventude Socialista (UJS) e outros e defende uma linha mais combativa no movimento estudantil, que não simplesmente se alinhe ao governo e tenha criticidade frente às ações e planos deste.

Conseguimos, ao final, cerca de seis centenas de votos de delegados e mantivemos um grupo na direção da UNE, que ainda continua com a presidência da UJS uma vez que essa entidade recebeu a maioria dos votos, na figura da Virgínia Barros, aluna da USP. O momento da eleição é marcado por uma agitação enorme, bem como todo o congresso, que a despeito de uma discussão mais aprofundada dos temas, se perde em festas e interesses políticos de quem atualmente compõe a direção majoritária da UNE.

Muitos temas dos quais quero falar em breve permeiam o Congresso da UNE e eu voltarei a falar dele oportunamente. Para finalizar, foi uma experiência muito importante que eu provavelmente repetirei nos meus próximos anos de graduação. A parte ruim foi tomar banho gelado quatro dias seguidos e a melhor foi conhecer uma galera muito legal que luta com determinação!

No próximo sábado irei para o CONUEE, Congresso da União Estadual dos Estudantes, em Ibiúna, aqui perto de Sampa. Falo dele no próximo post.

“Outra vez, outra vez
Tou na rua outra vez
Somos da oposição
Lutamos pela educação...”

Um abraço, boa semana!

Polin Maia

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Ops, muita coisa pra fazer

Como eu imaginei, não pude fazer uma postagem para o fim de domingo, ontem. Estava em viagem, ônibus de Goiânia a Campinas, e pude dormi o tempo todo \o/

Mas agora também não estou podendo escrever nada. Cheguei aqui e vi a quantidade de coisa para fazer em um tempo mínimo. E o bom é que estou bastante determinado a cumprir essas tarefas. Sendo assim, a próxima postagem, sobre o tema que falei anteriormente, ficará para domingo que vem, ao seu final.

Para constar, o Congresso da UNE foi muito bom.

Um abraço,

polin maia

domingo, 26 de maio de 2013

Mudança

Passou uma semana e eu estou melhor. As coisas deram bem certo nessa semana. Mas ainda não serei capaz de fazer a publicação que desejo, porque não preparei com antecedência e porque já estou cansado. Ainda assim, estou satisfeito com essa postagem. Ela é mais uma das minhas tarefas programadas entre a manhã da última segunda e o fim do domingo (hoje).

Essa é a forma pela qual estabeleço as minhas tarefas - semanais - de segunda cedo até o fim do próximo domingo. Faz parte de um projeto pessoal que está em andamento - organizar a minha vida, em muitos níveis e sentidos. Além de estabelecer tarefas semanais, aprendi a anotar meus compromissos, meus sonhos, meus objetivos a longo, médio e curto prazo. Estou aprendendo a gerenciar tudo isso pra ser uma pessoa realizada e mais feliz. E tem sido bom.

Muitas mudanças têm ocorrido em minha vida desde o início desse ano. Diria que este é o meu grande ano! Comentarei de cada uma delas ao longo destes próximos sete meses de 2013 e depois. Mas uma bem importante é a adoção do vegetarianismo, ou ovolactovegetarianismo, em minha vida. Era algo que buscava há um tempo e só tem me feito bem. Só para constar, descobri um restaurante vegetariano incrível próximo à Praça da República, em São Paulo, o APFEL. O preço é um pouco fora (ou melhor, bem fora) do meu orçamento, mas o pessoal é gente boa demais e fazem um desconto pra estudantes.

Além do vegetarianismo e da organização, tornei-me professor, fiz uma viagem interna e descobri muita coisa em mim. Comecei a me amar um pouco mais. Fiz uma viagem para a Amazônia e a beleza da natureza me inspirou bastante. Enfim, devo mesmo muita coisa para contar!

No próximo domingo estarei voltando de Goiânia, onde participarei do 53º Congresso da UNE. Talvez não consiga postar um texto aqui no fim do dia, mas o assunto já tenho: Movimento Estudantil, UNE e o Congresso da UNE.

Até lá então.

Boa semana!

Abraços,

polin maia

domingo, 19 de maio de 2013

Decepção

Decepção em vários níveis.

Hoje é o dia em que retomo a escrita de textos semanais nesse blog. É o meu blog, devia dar mais atenção a ele e cuidar para que receba bons textos. Mas, como quase tudo em minha vida, tenho dado pouca atenção, tenho dado pouco de mim. Não tem saído como eu planejei, como quase tudo na vida.

A maior decepção é comigo mesmo. Não tenho dado conta de nada. Tenho tido muita preguiça, uma desmotivação terrível! Além disso, tenho me desapontado com a violência constante, dos violentos e dos que não se vêm assim. Tenho me desapontado, acima de tudo, com a minha perda. Me perdi.

Esse texto continuaria muito triste, mas acho melhor interrompê-lo. Vou tentar fazer alguma coisa legal e domingo que vem venho aqui pra falar de algo melhor. A formatação do blog tá o ó. Que decepção!

Polin

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Novo começo

Esse título poderia dizer bem o que pretendo fazer com minha vida. Ou melhor, é algo que tenho feito nela. Invento novos recomeços diários. 

Mas não é bem isso. É apenas um post vazio para anunciar que a partir do dia 19 de maio, domingo, voltarei a publicar por aqui. Sempre publicarei no fim do domingo. Estou devendo a escrita de muitos temas muito importantes aqui.

Tenho buscado renovar essa página e reparar alguns erros, mas não sou muito bom nisso. Se alguém se dispuser a fazer alguma (p)arte, agradeço.

Então, até dia 19, ao final do dia.

Há braços

Polin Maia

domingo, 11 de novembro de 2012

Eu não me acostumo [Parte 1]

Este é um domingo bem diferente. Acordei às 6 horas da manhã, peguei busão, metrô e cheguei até o local onde ocorre, neste momento, o "Exame do CREMESP". Trata-se de uma prova aplicada a todo sexto-anista (formando) de Medicina do estado de São Paulo, estritamente teórica e, segundo o próprio Conselho Regional de Medicina, capaz de avaliar a capacidade médica de um indivíduo. Bom e digno médico seria aquele que acertasse mais de 60% das 120 questões objetivas que compõem o Exame. A prova é obrigatória para solicitar a retirada da carteira profissional (número de CRM) no estado, entretanto o resultado pessoal não é condicionante para se retirá-la. O CREMESP lança mão da verdade uníssona de que todos (profissionais, pacientes e população) querem uma saúde de qualidade e tenta vender este modelo de avaliação como uma solução para os problemas da saúde e da má prática médica. Um erro!

Todos nós já passamos por avaliações ao longo da vida e passaremos ainda por muitas. O que eu, baseado em muitas discussões e elaborações a respeito deste Exame, das quais participei, vejo é que a preocupação do CREMESP (um conselho fiscalizador do exercício profissional) não é a Educação e a formação Médica ou a proteção à saúde da população. Este exame terminal, que coloca a culpa de uma formação deficiente apenas no estudante, que desconsidera as escolas e que analisa poucas características essencias a uma boa prática médica não pode ser difundido como algo brilhante e revolucionário, como diz o CREMESP e é aceito pelos mais desavisados. O CREMESP diz que um dos problemas do aumento do número de casos de erro médico é o decréscimo na qualidade da formação médica sustentado pela abertura de escolas despreparadas e desqualificadas. Segundo ele, o exame seria o meio pra dar um basta nesta questão. Esquece o CREMESP que os motivos para se verificar um erro médico ultrapassam muito a formação do estudante e envolvem as insustentáveis condições de trabalho, como por exemplo as extensas e estressantes jornadas de trabalho com as quais o médico convive. Além disso, esquece o CREMESP das estatísticas que revelam que quem anda cometendo erro médico não é o recém-formado, mas sim o profissional no mercado há mais de uma década envolvido com todas aquelas condições tormentosas. 

Frente a tudo isso e mais um tanto de pontos de contestação discutidas no Movimento Estudantil de Medicina nos últimos anos e especilamente nos últimos meses, que inclusive estão amplamente divulgados no blog da DENEM (Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina) Regional Sul-2 tenho uma posição contrária e este modelo de Exame e não me acostumo a ver as decisões unilaterais (como a que instituiu a obrigatoriedade do exame) prevalecerem da forma autoritária como estamos vendo.

Lá no local do Exame, onde fui esta manhã, nos mobilizamos (alunos da USP, UNIFESP, Santa Casa, UNESP, UNICAMP e outros) para divulgar a opção pelo boicote à prova lançada pelo CAAL-UNICAMP e apoiada por várias assembleias de estudantes e outros Centros Acadêmicos. Não acreditamos na fidelidade entre o resultado desta prova e a vocação e conhecimento médico do formando, além de ser errada uma avaliação somente desse aluno em detrimento da sua escola médica. Além de tudo, essa avaliação antecipa um futuro Exame de Ordem que o próprio CREMESP defende, algo que poderia taxar qualquer bacharel em Medicina de incapaz e desqualificado e não oferecer chances de ele reorientar sua formação, buscando corrigir falhas, uma vez que ele já estaria fora da escola médica.

A voz de hoje é: Exame do CREMESP NÃO! Queremos e precisamos ser avaliados de verdade, pelos órgãos a que isso compete. Queremos uma educação médica de qualidade e uma saúde melhor.

Eu continuarei a não me acostumar e trago mais no próximo domingo ao meio-dia. 

Boa tarde. Boa semana.

Polin Maia