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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Enquanto me faltam dizeres...

Minha vida é um eterno acúmulo
Nada passa, tudo fica, tudo a compõe
Às vezes não suporto a ausência
Às vezes não suporto a presença
Intermináveis são os meus dias
Concluo muito pouco sobre o que faço
Faço muito pouco para concluir alguma coisa
Perco e ganho meu tempo fazendo poesia
Poesia pouco sincera, de pouca verdade
Poesia pros outros saberem das minhas mentiras
Porque a verdade mais doída ainda teima em apertar o meu peito.


domingo, 13 de maio de 2012

Bem-me-quer, mal-me-quer

Florzinhas estavam à beira do caminho, na estrada da casa da minha Vó São. Era uma tardinha, eu saí andando pela estrada para pensar um pouco na vida, e a beleza dessas florzinhas, do bem-me-quer, mal-me-quer feito com elas, me despertou o que agora reproduzo / compartilho.
___x___x___
Bem-me-quer, mal-me-quer
Mal-me-quer, bem-me-quer
Catei uma florzinha à beira da estrada
Lembrei da coisa que as meninas faziam
Do bem-me-quer, mal-me-quer.

E fazendo com uma florzinha, mais duas ou três
Sempre caía no  mal-me-quer.

Fui contar e descobri
Que todas as florzinhas tinham número par de petalazinhas
E bastou que eu dissesse o mal-me-quer antes do bem-me-quer
Para que ao final sempre caísse no bem-me-quer. 
Pode você ir na beira da estrada da casa de minha vó e conferir!

E mais que isso, entendi que não é a florzinha que me diz se bem-me-quer ou mal-me-quer
É só eu escolher com qual querer eu vou começar a contar.
E assim, sou eu quem define se bem-me-quer ou mal-me-quer.

E alguns dirão que isso deixa tudo menos simbólico e gracejante. Não conte a nenhuma menininha sonhadora, ainda que você a seja, que descobriu isso. Deixe-a seduzir pelo bem-me-quer, mal-me-quer. Ah, vai que a florzinha dela também não siga o padrão das minhas!

Agora peço somente que deixe minha menina bem-me-querer.
 
___ x___x___

Grande abraço, 

Polin Maia

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Biblioteca da Venda

"Biblioteca da Venda" é um nome de três: deste post, do meu (nosso) novo blog e da futura biblioteca comunitária de Venda Nova - Piranga - MG.

Estou imensamente feliz com este novo projeto. E o melhor é saber que ele será construído por várias mãos e muitos sonhos. Deixem-me apresentar:

Venda Nova - Piranga - MG. Meu endereço mais doce, que me remete à descoberta do mundo todo tempo. Foi ali que nasci e me fiz, ainda incompleto, mas apto a me encher das maravilhas do mundo. Lembro-me dos nadares no rio, das incontáveis brincadeira de criança, das história de pai, histórias de mãe e de aventuras campais. E um carinho enorme pelas pessoas de minha infância, que são também minhas pessoas da idade adulta. E uma lembrança magnífica dos livros e histórias e cadernos da infância simples, da realidade distante dos grandes centros, do incrível lugarzinho escondido na beira do rio.

Essa Venda Nova de hoje é um local lindo e tranquilo, onde as garras da civilização não nos machucam. Somente levam para lá as saudáveis comodidades do século XXI. Mas, trazendo para um discurso mais político, a beleza das histórias escritas, a magia das artes passa um pouquinho longe de lá. E o Projeto "Biblioteca da Venda" quer tapar este buraco. Inicialmente a ideia é encher a Venda Nova de livros, de literatura, de arte, de magia, em seus amplos espectros de influências. A comunidade rural terá acesso a tudo isso, será dona de tudo isso. Com o passar do tempo a ideia é crescer, transbordar e levar esta cultura tão magnífica aos arredores, ma vamos com calma.

Sou morador de São Paulo e aqui tenho certeza de que encontrarei muita gente disposta a me ajudar. Por isso eu peço livros mesmo, corro atrás de coleções, busco o conhecimento e a beleza escondidos em tinta para levar ao lugar de minha infância, à nossa biblioteca comunitária. Só tenho ajuda a pedir...

Acessem:
bibliotecadavenda.blogspot.com.br

Logo logo muitas novidades.

Saudações,

Polin Maia

sexta-feira, 30 de março de 2012

Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa

Era 1984 e meu pai nem conhecia minha mãe. A campanha pelas Diretas Já juntava todo tipo de gente animada e a juventude fazia toda estrepolia. A vida era anos 80! Foi por aí que o Kid Abelha e os Abóboras Selvagens gravaram a canção "Nada Tanto Assim" que hoje, quase trinta anos mais tarde, parece ter sido escrita pra mim.

Eu tenho apenas 20 anos e me sinto mal ao falar de algo que não presenciei ou acompanhei - os anos 80, que para mim foram anos incríveis e eu, de alguma forma, estive por lá. Uma sensação ultra-nostálgica!

Mas, bem, não falarei dos anos 80. Um dia, quando souber um pouco mais sobre eles, tentarei soltar-lhes as palavras. Aguardem. Meu papel aqui, hoje, é falar de como "eu tenho pressa, tanta coisa me interessa, mas nada tanto assim."

Andei lendo por aí que é próprio de poeta maluco esse tipo de sentimento: o saber raso sobre determinado assunto, a incompletude de informações. E deve ser de poeta mesmo, porque esses são dois sentimentos que ando tendo: sinto que sou um poeta e que sei muito pouco de muita coisa. Algo terrível para a cabeça de alguém que se julga curioso e interessado por natureza!

A Paula Toller, não é segredo, é uma das minhas artistas favoritas. Encantam-me seus trejeitos de moça alegre e de mulher das palavras, e o que ela diz me conforta (por saber que não sou o único a sentir isso) e me desafia ao mesmo tempo: é assim que continuarei a me apoderar do conhecimento? Raso desse jeito?

Quero muito/sonho acordado que a resposta seja não. Para mim é fantástico quando alguém disserta horas e horas sobre algo com propriedade e lucidez. Sinto falta disso em mim e aí vem outra pergunta: isso é algo que está em mim ou que eu adquiri há pouco (ou há muito e só agora percebi)? E mais: é influência dos dias de hoje? Temo que sim.

Do último trecho tiro essa conclusão: Por isso me encantam os anos 80! Lá talvez eu pudesse saber muito de muita coisa, ou talvez de pouca, mas seria feliz com o conhecimento que tivesse. Nos dias que meu calendário expõe na parede as coisas acontecem aos montes ou são noticiadas à exaustão. Sei que essa afirmação é um clichê, mas é a única justificativa social para o mau-conhecimento do poeta. Porque sabem aqueles que comigo compartilham a vivência nobre da poesia que muito do que sentimos não é possível explicar na língua dos homens.

E se minha justificativa social estiver errada, aí a coisa tá feia mesmo: Sinto algo que nem consigo explicar, mas continuo sentindo. E isso é muito humano.

polin maia