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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Enquanto me faltam dizeres...

Minha vida é um eterno acúmulo
Nada passa, tudo fica, tudo a compõe
Às vezes não suporto a ausência
Às vezes não suporto a presença
Intermináveis são os meus dias
Concluo muito pouco sobre o que faço
Faço muito pouco para concluir alguma coisa
Perco e ganho meu tempo fazendo poesia
Poesia pouco sincera, de pouca verdade
Poesia pros outros saberem das minhas mentiras
Porque a verdade mais doída ainda teima em apertar o meu peito.


domingo, 19 de agosto de 2012

Domingo ao meio-dia

Vontade de chorar. Vontade de falar a todo mundo e a mim mesmo o que está mais fundo em meu coração e em minha mente. Uma mistura de sentimentos me toma. Uma dor esternal sempre do lado do coração, que vai e volta. Devem ser as feridas bombeásticas, que cavam,  coronárias, aórticas, mitrais, triscúspides, infernais.

Os Infernais e Nando Reis. Xará Toller e os Abóboras Selvagens, que eu sempre agradeço por tocar canções para mim desde antes de eu nascer. Estou escutando vocês!

Essa mesma vontade de chorar de 2 minutos atrás passa, da mesma forma que tudo na vida. Os amores passam, as pessoas passam, as vontades passam. Passamos despercebidos por aqueles de quem dependemos. E às vezes nos percebem só para mostrar que não percebem do modo como e quando queríamos.

Essa sensação de que a vida está passando muito rápido, de que não estou dando conta de viver. Engraçado eu ser tão rápido para algumas coisas, medroso para outras e desacelerar quando estou sozinho. Engraçado eu ter 21 anos. Engraçado eu falar tanto de minha família. Engraçado eu ser filho único. Engraçado eu me apaixonar por quase tudo à primeira vista. Engraçado eu não ser apaixonado por nada. Uma graça!

Uma graça sem graça de alguém com dor para-esternal. É uma daquelas dores que surgem quando sua fisiologia e sua mente são bruscamente alteradas. Se eu ao menos fosse médico para diagnosticar isso. E se os médicos fossem capazes de diagnosticar! Ah, se tudo fosse diagnosticável! Se tudo fosse aceitável, tratável! Ah, eu queria voltar a ter 13 anos!

Agora me veio outra banda - Capital Inicial (costumo dizer que tenho um certo desprezo inexplicável pelo Dinho Ouro Preto, mas admiro algumas de suas músicas) e uma canção, "Não olhe pra trás", deles. Quando eu tinha 13 anos, e um fardo muito menor para carregar, eu escutava essa canção e acho que não tinha muito motivo para nao olhar pra trás. O chato é hoje ter motivos.

Falar sobre mim é assim. Uma superposição de pensamentos. É assim que a mente funciona e o modo como eu coloco no papel ou no editor de textos.

Tenho vontade de não gastar dinheiro, de não dormir, de não estudar, de não ser nada. Mas tenho receio de ser nada, de não ser alguém, de morrer e de ser maltratado.

Assumo posturas opostas. Assumo vontades que não tenho. Assumo publicamente minha incapacidade de ser linear. E respeito seu desprezo por mim. E sua amizade eu venero.

Bom domingo!

domingo, 20 de novembro de 2011

Que força eu tenho?

(ESTE TEXTO ESTÁ GUARDADO COMIGO HÁ ALGUNS MESES, E É CHEIO DE SENTIDO PARA MIM TODO O TEMPO)

 A vida tem dessas coisas: sua mente programada para fazer o que é mais fácil ou pelo que dizem, o mais adequado. Aí você não sabe de onde tira forças para resistir a todo o pensamento forçado e de repente está travando uma grande batalha. Não é explicável, você não tem essa força, conclusão certeira. Trata-se de uma traição interna de sua mente, em que você acaba como o traidor e o traído. Unilateral! (As pessoas não irão entender!).
Como nunca te entenderam, sabe-se lá se têm vontade de te compreender. Têm pressa e você não é fácil. Você é aquele instigante garoto sem traços, de destaque conflituoso. Você mente e sua mentira é só mais um passo para formarem a péssima ideia que têm de ti. Na verdade, em discurso meio confuso, concluo que a única coisa que têm de mim é curiosidade. Querem saber, assim como eu, quem sou e o que posso fazer. Eu acho que chegar ao final e obter essa resposta seria demasiado infeliz para mim, porque eu não nasci para fins. Amo o meio das coisas, a construção. Não que não saiba admirar o resultado, mas adoro o gesto, a ação, o destrinchar das coisas.
Talvez tenha ficado indefinida a força estranha da qual falei pouco acima. Simplesmente não conheço a minha força, mas temos o costume de subestimarmos nosso poder. Na verdade construo essa teoria, mas tenho o sentimento de não poder aplicá-la para mim. Ela já deveria ter aparecido (a força). Termino sempre, e não gosto de términos, sem entender o que é minha força. E por extensão, sem entender o que é a minha vida.