sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dia do Amigo

Da mesma forma que a maioria dos meus posts neste blog, hoje venho falar de mim e das coisas que me ocorrem.

Várias e várias vezes manifesto minha vontade de mudar, de superar os desafios da minha existência. Um querer ser mais, ser melhor, ser mais autêntico, mais verdadeiro, mais sábio, mais interessante. Uma busca muitas vezes vazia, dura, errada. Sou anti-natural por natureza, diria confuso. Estou de férias e como sempre neste período, me pego cheio de vontade de recomeçar com animação, mas isso não ocorre há algum tempo. Meu sonho é não ter vontade de parar, é ser mais pró-ativo ou de ser mais resitente à procrastinação, ao "fazer-pelas-coxas". Sonhos, vivo disso.

Mas hoje é dia do amigo e eu fico feliz, muito feliz, por ter tantos deles. Tão importantes para mim, tão influentes em minha vida. Prontos a me ouvir, a me falar, a dar seus puxões de orelha, a comemorar e sempre ao lado para dividir as amarguras da vida e tornar os momentos difíceis mais confortáveis. Minha família, amiga! Enfim, é uma palavra cheia de beleza - AMIGO. E que venham bons amigos, à mão cheia! Porque é neles que encontro força pra lidar com todas estas dificuldades por ser o confuso e muitas vezes despreparado que sou.

Feliz dia do amigo!

Polin

terça-feira, 10 de julho de 2012

Facilidade em esquecer o que sou

Tenho uma dificuldade imensa em me contentar. Uma capacidade enorme de admirar e querer tanta coisa, e de me aborrecer também. O chato é que muitas vezes aborreço-me comigo mesmo. Sou difícil, mas tomei uma certa decisão agora há pouco. Tentarei seguir caminhos mais fáceis, de menos sofrimento e de mais beleza. Ser coerente, ter foco. À luta!

Grande abraço de alguém que está com muita saudade das maravilhas mineiras e que aguarda ansiosamente que passem rápido esses três próximos dias.

Polin

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Crônica - Sou prefeito de Porto Firme

Sou prefeito de Porto Firme
Paulo Freitas

Esta é minha primeira crônica como o escritor Paulo Freitas, que me tornei há pouco. Não que eu não fosse Paulo Freitas, já que este é meu sobrenome há exatos 19 anos, 10 meses e 25 dias, mas é que nunca tive muita coragem de revelar algo que está presente em minha vida há mais ou menos este mesmo tempo: sou um escritor.
Gosto de escrever, por prazer e às vezes por necessidade de fugir da rotina, de parar de fazer o que todos fazem e para ter o que fazer quando não há ninguém para conversar num domingo a tarde. Enfim, chega de falar. Vamos à crônica em si.
Geraldo Magela é um senhor obeso e não soube o que responder quando alguém lhe perguntou onde ficava o toillet, porque não sabia o que era o toillet. Ele simplesmente deixou cair a bolacha que segurava na rechonchuda mão esquerda e foi apanhá-la com sua dificuldade habitual enquanto outra pessoa mais entendida respondia ao questionamento da madame. Geraldão sabia sair de algumas situações embaraçosas, mas infelizmente seu comportamento razoável nas reuniões sociais e até profissionais, naquele dia, parou por aí.
Estávamos (na verdade eu não estava, mas meu primo estava usando meu nome naquela reunião porque eu não podia ir e também nem queria, a não ser para presenciar os fatos pitorescos de um encontro como aquele) todos esperando pelo grande pronunciamento do novo presidente da Bomlachas, a empresa líder no setor alimentício da zona oeste da terceira região administrativa do distrito de Manguezal Seco. Esse nome, para mim, só reduz a abrangência de mercado da Bomlachas, mas a família Arabino gosta da pompa que carrega o seu marketing. Sem contar que a ortografia da marca desagradava muita gente. Nicanor Arabino estava atrasado e a pouca bolacha que foi reservada para o coquetel (a sua família era famosa pela avareza) já havia acabado antes mesmo de meu primo acabar de cumprimentar a todos os Arabinos. Só lhe restava ajeitar o esparadrapo que cobria parte de seu rosto para enganar o pessoal que acreditava estar conversando comigo e é claro manter a conversa-sem-pé-nem-cabeça com este mesmo pessoal.
Finalmente foi anunciada a chegada do Nicanor e mais ou menos nesta hora ocorreu o diálogo que nomeia esta crônica. Meu primo, que até tem nome, mas não vale a pena citar, é quem me contou. Reproduzi-la-ei:
“O Geraldão pegou um punhado de café na grande garrafa que servia o pessoal esfomeado e constatou que não estava adoçado. Ele, então, procurou pelo açúcar, mas também já havia acabado. Foi então que viu uma moça pingar umas gotinhas de um líquido transparente no seu café e fazer cara de quem gostou. Ele então pegou o vidro da sua mão e despejou suas gotinhas. Foi quando a moça perguntou:
_ Ei, o Senhor é diabético?
No que Geraldão respondeu:
_ Não minha filha! Eu sou o prefeito de Porto Firme.”
A cena foi marcante pro meu primo. A moça deu uma golada no café para ver se continha seu riso e acabou engasgada. O Geraldão não entendeu nada e olhou torto para sua xícara de café, desprezando o ataque da senhorita e dando uma golada rápida. Gostou. Gostou tanto que ordenou que buscassem mais Bomlachas para acompanhar.
Daí em diante esta se tornou a resposta mais prática que eu, meu primo e toda a família Maia de Freitas podemos dar quando não sabemos o que dizer. Se eu sou misantropo? Não, sou prefeito de Porto Firme. Se eu sou claustrofóbico? Não, sou prefeito de Porto Firme. Se eu sou filantrópico? Não, sou prefeito de Porto Firme. E por aí vai...

Em homenagem ao meu amigo Raoni Pais

domingo, 13 de maio de 2012

Uma pequena passagem de um casinho ocorrido no lotação

Sábado a noite, voltando para casa, sozinho. Sentei ao lado de uma moça no lotação, em silêncio. Com fones de ouvindo e Queen eu faria uma viagenzinha sem graça, no meu mundinho, como muitos fazemos. Incrível como estamos sempre todos calados, preferindo prestar atenção na música de sempre ou no barulho chato do ônibus... Mas disso eu falo em outra hora!
Num momento percebi que o rapaz que estava sentado imediatamente atrás da moça começou a mexer nos cabelos dela, ato que ela desaprovou se inclinando para a frente e também trazendo seus cabelos para o peito. Tirei os fones para tentar entender a situação. Ainda estavam em silêncio. Mais uma vez aquilo se repetiu e ela demonstrou desagradar. Foi então que eu virei para trás, sem saber quem eram aquelas duas pessoas:
_ Ô Cara, respeite a menina!
Foi tão impulsivo e no mesmo impulso ela respondeu:
_ Ah não, ele é meu namorado.
Minha expressão deve ter sido engraçadíssima para quem assitiu àquilo, saltaria do ônibus naquela hora se estivéssemos parados num ponto. Mas não estávamos, escondi-me recolocando os fones e aumentando o volume de "I want to break free".
Mas ao mesmo tempo fiz uma breve reflexão, retirei (acho que nunca usei essa palavra com esse sentido - tirar de novo) os fones e soltei:
_ Mas me desculpem, jamais imaginaria que seriam namorados. É que você ( a moça) demostrou que fora incômoda a ação dele. Já vi caras petulantes incomodando meninas e julguei que era o caso.
Eles não rsponderam nada. Só um risinho dela. Então fui claro:

_ Sábado a noite, vocês namorando. Como assim que cada um senta em um banco no ônibus. Tratem já de se acertarem. Desculpem pela intromissão, mas vocês merece ser felizes.
Não sei se isso consertou alguma coisa. A menina falou que não tinha problema e o cara continuava com a cara de bobo de um homem que tenta agradar a mulher com quem acabou de ter uma discussão, mexendo nos seus cabelos.
Recoloquei os fones e segui viagem, não dei meu lugar ao cara e a menina não se prontificou a transferir para o lado dele, na dupla de poltronas imediatamente atrás. Mas fiz isso para tentar ser imparcial na decisão dos dois de se reconciliarem. Alguns instantes depois ela começou a se mexer, até que tomou coragem, me pediu licença e saltou para trás. Dei uma de desinteressado, ainda estava meio envergonhado. E pensei que não cabia a minha presença na história dos dois. Aquilo ali era deles. Coloquei "Love of my life" no último volume, só pra mim. Pensei em amores, segui até em casa, sem olhar pra trás.
E torci pra que ficassem bem, aproveitassem seu namoro. Estarão juntinhos agora? Quem sabe? Quem são eles?
São Paulo e a poesia de seu dias, obrigado por todas as experiências fantásticas que estais me proporcionando.

Bom domingo,

Polin Maia

Bem-me-quer, mal-me-quer

Florzinhas estavam à beira do caminho, na estrada da casa da minha Vó São. Era uma tardinha, eu saí andando pela estrada para pensar um pouco na vida, e a beleza dessas florzinhas, do bem-me-quer, mal-me-quer feito com elas, me despertou o que agora reproduzo / compartilho.
___x___x___
Bem-me-quer, mal-me-quer
Mal-me-quer, bem-me-quer
Catei uma florzinha à beira da estrada
Lembrei da coisa que as meninas faziam
Do bem-me-quer, mal-me-quer.

E fazendo com uma florzinha, mais duas ou três
Sempre caía no  mal-me-quer.

Fui contar e descobri
Que todas as florzinhas tinham número par de petalazinhas
E bastou que eu dissesse o mal-me-quer antes do bem-me-quer
Para que ao final sempre caísse no bem-me-quer. 
Pode você ir na beira da estrada da casa de minha vó e conferir!

E mais que isso, entendi que não é a florzinha que me diz se bem-me-quer ou mal-me-quer
É só eu escolher com qual querer eu vou começar a contar.
E assim, sou eu quem define se bem-me-quer ou mal-me-quer.

E alguns dirão que isso deixa tudo menos simbólico e gracejante. Não conte a nenhuma menininha sonhadora, ainda que você a seja, que descobriu isso. Deixe-a seduzir pelo bem-me-quer, mal-me-quer. Ah, vai que a florzinha dela também não siga o padrão das minhas!

Agora peço somente que deixe minha menina bem-me-querer.
 
___ x___x___

Grande abraço, 

Polin Maia

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Concurso Cultural do Globo Universidade

Boa madrugada.

Pois é, pessoal. Ganhei um concurso cultural do Globo Universidade sobre #calouros. Sempre segui este programa e recomendo. E apareci no site da Globo: Clique aqui - Eu no site do Globo Universidade

Agora é só esperar os prêmios chegarem!

Abraços,

Paulo Henrique

Biblioteca da Venda (BDV) - Novidades. Visite lá.

Novidades lá.

http://bibliotecadavenda.blogspot.com.br/2012/04/mais-novidade-e-mais-vontade.html

Obrigado.

Bom feriado

Paulo Henrique

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Biblioteca da Venda

"Biblioteca da Venda" é um nome de três: deste post, do meu (nosso) novo blog e da futura biblioteca comunitária de Venda Nova - Piranga - MG.

Estou imensamente feliz com este novo projeto. E o melhor é saber que ele será construído por várias mãos e muitos sonhos. Deixem-me apresentar:

Venda Nova - Piranga - MG. Meu endereço mais doce, que me remete à descoberta do mundo todo tempo. Foi ali que nasci e me fiz, ainda incompleto, mas apto a me encher das maravilhas do mundo. Lembro-me dos nadares no rio, das incontáveis brincadeira de criança, das história de pai, histórias de mãe e de aventuras campais. E um carinho enorme pelas pessoas de minha infância, que são também minhas pessoas da idade adulta. E uma lembrança magnífica dos livros e histórias e cadernos da infância simples, da realidade distante dos grandes centros, do incrível lugarzinho escondido na beira do rio.

Essa Venda Nova de hoje é um local lindo e tranquilo, onde as garras da civilização não nos machucam. Somente levam para lá as saudáveis comodidades do século XXI. Mas, trazendo para um discurso mais político, a beleza das histórias escritas, a magia das artes passa um pouquinho longe de lá. E o Projeto "Biblioteca da Venda" quer tapar este buraco. Inicialmente a ideia é encher a Venda Nova de livros, de literatura, de arte, de magia, em seus amplos espectros de influências. A comunidade rural terá acesso a tudo isso, será dona de tudo isso. Com o passar do tempo a ideia é crescer, transbordar e levar esta cultura tão magnífica aos arredores, ma vamos com calma.

Sou morador de São Paulo e aqui tenho certeza de que encontrarei muita gente disposta a me ajudar. Por isso eu peço livros mesmo, corro atrás de coleções, busco o conhecimento e a beleza escondidos em tinta para levar ao lugar de minha infância, à nossa biblioteca comunitária. Só tenho ajuda a pedir...

Acessem:
bibliotecadavenda.blogspot.com.br

Logo logo muitas novidades.

Saudações,

Polin Maia

domingo, 1 de abril de 2012

Visão

Acabei de comentar que não pretendo seguir na área da oftalmologia. Sei da precipitação que me ocorre e dos dizeres apressados próprios de alguém que tem necessidade de anunciar, mas acho que falei isso com alguma verdade.

Não que eu não admire a oftalmo - dependo muito dela, e acho consultório de oftalmologia um lugar incrível - acho digníssimo oferecer saúde visual às pessoas. Mas apenas tenho outras vontades médicas.

Não é linda a oftalmo porque os olhos sejam lindos, mas lindo é o que eles vêem. Lindo é este mundão todo, lindo é senti-lo seu. Somos os donos do mundo todo, responsáveis apenas por cuidar de um pedacinho dele, com nossa visão.

Nossa visão é aventureira e se cansa de apenas observar. Começa a sentir. Manda o cérebro guardar informações para depois trazer à lembrança e ainda utiliza o sistema ocular para escorrer água que externaliza a dor da saudade e da dor da doença.

A visão é algo que me excita, além dos cones e bastonetes, como alma amante do mundo. Contemplações dessa Terra de mazelas e alegrias pessoais, urbanas, rurais e cotidianas. Sou feliz por ter a visão e por lutar para que enxerguemos o mundo.


E de admirar a visão, vem a preocupação relativa a o quê enxergamos, sentimos, provamos, introduzimos em nossa experiência. É preciso se atentar, pois nos povoamos de muita coisa ruim e de imagens tristes e hostis. Sintamos a beleza do mundo e busquemos a beleza de nossa janelas. Da casa e da alma.

Uma excelente semana a você.

polin maia

sexta-feira, 30 de março de 2012

Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa

Era 1984 e meu pai nem conhecia minha mãe. A campanha pelas Diretas Já juntava todo tipo de gente animada e a juventude fazia toda estrepolia. A vida era anos 80! Foi por aí que o Kid Abelha e os Abóboras Selvagens gravaram a canção "Nada Tanto Assim" que hoje, quase trinta anos mais tarde, parece ter sido escrita pra mim.

Eu tenho apenas 20 anos e me sinto mal ao falar de algo que não presenciei ou acompanhei - os anos 80, que para mim foram anos incríveis e eu, de alguma forma, estive por lá. Uma sensação ultra-nostálgica!

Mas, bem, não falarei dos anos 80. Um dia, quando souber um pouco mais sobre eles, tentarei soltar-lhes as palavras. Aguardem. Meu papel aqui, hoje, é falar de como "eu tenho pressa, tanta coisa me interessa, mas nada tanto assim."

Andei lendo por aí que é próprio de poeta maluco esse tipo de sentimento: o saber raso sobre determinado assunto, a incompletude de informações. E deve ser de poeta mesmo, porque esses são dois sentimentos que ando tendo: sinto que sou um poeta e que sei muito pouco de muita coisa. Algo terrível para a cabeça de alguém que se julga curioso e interessado por natureza!

A Paula Toller, não é segredo, é uma das minhas artistas favoritas. Encantam-me seus trejeitos de moça alegre e de mulher das palavras, e o que ela diz me conforta (por saber que não sou o único a sentir isso) e me desafia ao mesmo tempo: é assim que continuarei a me apoderar do conhecimento? Raso desse jeito?

Quero muito/sonho acordado que a resposta seja não. Para mim é fantástico quando alguém disserta horas e horas sobre algo com propriedade e lucidez. Sinto falta disso em mim e aí vem outra pergunta: isso é algo que está em mim ou que eu adquiri há pouco (ou há muito e só agora percebi)? E mais: é influência dos dias de hoje? Temo que sim.

Do último trecho tiro essa conclusão: Por isso me encantam os anos 80! Lá talvez eu pudesse saber muito de muita coisa, ou talvez de pouca, mas seria feliz com o conhecimento que tivesse. Nos dias que meu calendário expõe na parede as coisas acontecem aos montes ou são noticiadas à exaustão. Sei que essa afirmação é um clichê, mas é a única justificativa social para o mau-conhecimento do poeta. Porque sabem aqueles que comigo compartilham a vivência nobre da poesia que muito do que sentimos não é possível explicar na língua dos homens.

E se minha justificativa social estiver errada, aí a coisa tá feia mesmo: Sinto algo que nem consigo explicar, mas continuo sentindo. E isso é muito humano.

polin maia